Quando as pessoas criam um blog, é bastante comum que o primeiro post seja uma espécie de "lista de resoluções para o novo ano". Já vi isso inúmeras vezes nesse tempão de internet. Coisas do tipo: "Me deu vontade te ter um lugar pra falar sobre isso, aquilo, blá, blá, blá...". Bom, eu vou pular essa parte e dizer apenas o seguinte: isso aqui existe porque eu quero. Quando eu não quiser mais, deixará de existir. Simples assim.

Para o quê eu vou usar esse espaço é uma questão só minha. Se não gostar do que ler/ver aqui, tenho duas sugestões: clique no botão "Próximo blog" aí e cima ou aqui. Você tem todo o direito de não ler/ver o que existe aqui assim como eu tenho todo o direito de não ter que lidar com o seu #mimimi. Eu respeito o seu direito, você respeita o meu. Justíssimo. Combinado?

Passado o prólogo, direto ao tema. Chupado de um post meu no Google+:

Comecei minha vida tecnológica em um MSX. Z80 na veia, o mesmo que toca os carros do metrô do Rio! Depois fui para o Apple II e o seu lindo 6502. Depois de passar por algum tempo em coisas bem obtusas ainda disponíveis no início dos anos 90 do século passado, foi a vez do PC. Primeiro MS-DOS, daí OS/2, depois Linux (Slackware 3), e só então Windows. Esse último durou um tempo por causa das exigências corporativas. Particularmente, em 2000 escolhi o Mac, um iBook branquinho. Eu fui feliz com o Mac. Gostava tanto que até fui dono do maior site de notícias e comunidade sobre a plataforma no Brasil até 2007. Deste então, mais especificamente quando o iPhone surgiu e trouxe como 'bônus' um ecossistema fechado, a Apple lentamente me empurrou pra longe dela. A Apple cuspiu nos princípios que a tornaram uma empresa de sucesso. Você pode ver Steve Jobs como um gênio dos negócios (e é mesmo), mas para mim ele é só o mais bem sucedidos dos ditadores. A Apple não merece mais a minha escolha política como consumidor.

Pois bem, há três semanas o único sistema operacional instalado em meu MacBook Pro é um Linux, mais especificamente o Slackware Linux. Porquê escolhi o Slackware dentre as centenas de distribuições disponíveis por aí é uma questão menor, de puro gosto e capacidade técnica/intelectual. O fato relevante aqui é o Linux, um software/sistema operacional livre, gratuito, feito por gente como eu e você para gente como eu e você rodando em algo feito para ser fechado, proprietário, quase uma cela tecnológica. A subversão disso pode ser boba para muito, mas eu acho linda! Nos termos da Apple e seus fanboys, eu sou um herege. And I can't care less!

O hardware continua sendo o MacBook Pro 7,1 (Mid-2010). No Mac OS X que eu vinha usando, o Lion (10.7.5), o MBP já vinha mostrando sinais da idade. Mesmo com os upgrades que fiz ao longo do tempo (8GB de RAM, SSHD Seagate Momentus XT), a máquina já dava seus sinais de que no Mac OS X o seu ciclo de vida chegava ao fim. No máximo aguentaria até a metade do ciclo do Mac OS X Mountain Lion (10.8). No que diz respeito à Apple, o comportamento predatório do software em relação ao hardware é exatamente o esperado. A cada novo lançamento de iDevices ou Macs, o que vemos são early-adopters entulhando filas para comprar as novidades. Além do hype inerente, o fato é que muitas funções do software deixam de funcionar ou simplesmente não são mais suportadas no hardware antigo. É uma estratégia de marketing que, apesar de não concordar, devo admitir que funciona.

Com o Linux a realidade sobre este hardware "antigo" é essa: tenho a nítida impressão de ter uma nova máquina. Tudo é rápido, fluído, eficiente. Os 8GB de memória, mesmos nos momentos de uso mais extremo e com alto multi-tasking - até nos casos de uso raros no Mac OS X, como compilar - até hoje não chegou aos 50% de consumo. Os outros 8GB de memória virtual que reservei só vi serem utilizados uma vez, com a memória em 48% e 60MB de swap em uso.

O processador, um Intel(r) Core(tm) 2 Duo P8600 de 2.4Ghz lá de 2008 sem hyper-threading e um monte de sacanagens novas, trabalha folgado a maior parte do tempo. Ele sofre apenas quando o Nepomuk está efetivamente indexando algum documento grande. De resto, o uso de processamento é bem manso. O boot (raro em *nix), ocorre em coisa de 30-40s até estar pronto para uso, incluindo o tempo que levo na interação com o login.

No geral, vejo o MBP me servindo com alguma folga pelos próximos 4~5 anos se não houver uma falha irrecuperável no hardware. É uma sobrevida de pelo menos 100% quando comparada ao Mac OS X. Na minha análise de ROI, isso vale muito a pena.

Mas é claro que nem tudo são flores. O MacBook Pro continua sendo Apple. O Linux continua sendo Linux. A maioria desses problemas foram resolvidos ao longo do processo de migração e sobre eles escreverei aqui. Tem coisas muito legais, úteis não só para o meu caso, mas para outras pessoas também. Compartilharei.

Mas apesar dos problemas solucionados, três condições já deixaram bem claro que serão parte do cotidiano. São elas:

  1. Bateria: 50% menos eficiente que no Mac OS X. Isso é chato e não há muito o que fazer com o kernel 3.2. Talvez no 3.4 ou 3.6 isso melhore, mas acho pouco provável. O carregador se faz mais presente.
  2. Touchpad: apesar de boa parte do comportamento dele no Mac OS X estar presente no Linux, a incapacidade dele perceber que dois toques foram dados a distâncias maiores que algo configurado como "normal" para dois dedos juntos ativa o scroll/drag quando eu não quero isso. É um problema que só percebemos que existe quando deixamos de ter o recurso que o previne. E é chato, muito chato. No entanto, acostumável.
  3. Sleep: não é nem o sleep em si (fechar o display e a máquina "dormir"). O retorno dele que é esquisito. Abro a tampa do note, ele volta do sleep, fica uns 5~10s e volta a dormir. Aí aperto o botão de ligar e só então ele volta definitivamente. Essa condição é só chatinha, não chega a ser um incômodo. Como tal, não procurei muito sobre o tema, mas deve haver uma solução. Se você que leu até aqui sabe um modo de resolver isso, me avise. Serei grato!

No mais, ter a consciência de que estou rodando Linux em um Mac, maculando tudo o que a Apple quis e quer e que ela é cada vez mais voraz nesse sentido, me faz muito bem. Subversão tecnológica na veia é o que liga. Para o que a Apple impõe nos EULAs sobre como usamos seus produtos, caguei. Um balde.

Concorda comigo? Discorda veementemente? Cabem ponderações ou tem dúvidas? Os comentários estão aí pra isso. Adoro a beleza das discussões. Se você entendeu o recado no segundo parágrafo, então será um prazer e uma honra discutir com você.