O trabalho tem me feito estudar um monte de coisa nova e me aprofundar em outras já bem antigas. Tá fazendo um ano que aboli o datacenter e um monte de hardware da minha vida. E olha, vou te falar que sou muito mais feliz assim.

Cuidar de infra própria é chato e oneroso! Ninguém merece passar um fim de semana preocupado com um disco que alarmou no array na sexta a noite, toca segunda-feira cedo correr atrás de fornecedor, proposta, compra, corre em Barueri, protocolos de segurança, galpão frio e barulhento, abre máquina, troca disco, testa, rebuild no array, cu na mão. Ô canseira! Nas nuvens isso simplesmente não existe.

Mas desde que tenho comido e dormido nas nuvens, uma coisa me chamou a atenção: não chove Slackware lá. Como assim?!? Tem Ubuntu, Redhat, SuSE, Amazon Linux (o Linux 'oficial' do AWS), tem até Arch! Mas Slackware não tem. Na verdade tinha, mas era escasso como água no Cantareira...

Como assim? O Slackware deveria estar pululando de nuvem em nuvem! Afinal, ele surgiu 13 anos antes da primeira nuvem comercial amplamente disponível, o AWS.

Estou envolvido em projetar uma arquitetura completamente nova para o trabalho. Evidentemente o Slackware está bem alto na minha lista de opções da coluna sistema operacional.

A principal razão é que não quero o meu negócio refém da RedHat, Canonical e similares com os seus systemd's da vida. Também não quero tornar o meu negócio e, principalmente, a equipe de desenvolvimento dependente dos Dockers, Puppets e Chefs por aí. Estou indo na direção oposta da corrente, mas foda-se... para mim e para alguns (né @elcio?), a corrente é que está na direção errada.

Pois bem, daí fui ver qual era o tamanho do quiprocó para colocar um Slackware rodando como um ambiente de produção na nuvem, especificamente no AWS EC2. Oh boy! Ooooh boy!!!

O problema, na minha opinião, ficou logo evidente: a quase inexistente documentação que existe ('inexistente que existe', curtiu?!? :P) é ou antiga, ou incompleta, ou ambas. Tem um monte de coisa no meio do caminho para fazer o Slackware virar na nuvem que não está escrita em lugar algum.

O melhor que eu achei sobre isso foram os artigos de um turco gente boa com o qual troquei algumas mensagens, o Soydaner Ulker, e um tópico no LQ.

Mas eu sou teimoso, curioso, paciente e sei que sem documentação nada vai pra frente. Cai dentro do processo de criar uma imagem do zero para o Slackware no AWS EC2, resolvendo os detalhezinhos e documentando cada mínimo passo necessário. Empacotei os comandos com texto e voilá! Saiu isso:

Resolvi escrever, publicar e doar o artigo ao The Slackware Documentation Project por causa da visibilidade que ele tem, o que consequentemente aumenta a abrangência do guia e, associado a isso, a utilidade do que está escrito para quem realmente necessita.

O texto é uma tentativa de preencher essa lacuna documental que existia no Slackware. Não deve estar tão ruim. Primeiro porque me deram uma conta para eu publicar lá. Segundo porque fiz o anúncio antecipado ao pessoal da lista do SlackDocs pedindo aos editores para revisarem o material e tudo o que recebi de resposta foi um elogio e uma crítica excelente ao início do texto. Isso levou a sua alteração. Mas não tiraram o artigo do ar, então...

O fato é que hoje este MexApi que você lê agora está vindo de um Slackware rodando na nuvem! E a documentação permite que você faça o mesmo com o que quiser. Essas duas coisas me dão uma satisfação danada!

Sobre o assunto 'MexApi rodando no Slackware', vai virar tema de um outro artigo. A vida muda pra muito melhor quando você dispõe do conhecimento e do tempo necessários fara fazer o que deseja. E com a vantagem do conhecimento encurtar o tempo necessário, o céu não é mais o limite.

É isso 'crionças'. Brinquem a vontade!