E o blog vai tomando um ritmo e uma cara, naturalmente. Bom assim.

Disse a dois textos atrás que meus parentes de primeiro grau (mãe e tios) venderam a fazenda em que as últimas três gerações da família cresceram e foram criados. O espólio rendeu aos membros vivos da família algum dinheiro.

Nenhum deles precisavam desse dinheiro. Merreca. Como dizem "no" Goiás, dinheiro de pinga. Ninguém ficou nem mais rico nem mais pobre. Um tio, o mais aparecido, fraco do juízo e do meu mais profundo e sincero desprezo, comprou uma S-10 cabine dupla e uma TV de 50 e tantas polegadas. Outros, incluindo minha mãe, não sei o que fizeram. Enfim, só pra dar uma ideia da quantidade de "grana" que estamos falando.

Semana passada estive em Goiás. Sempre que vou lá a prioridade é ficar com meus pais e visitar alguns membros da família e amigos bem próximos. Hoje em dia, por aprendizado e escolha, o que considero "família" é restrito a alguns privilegiados (não por eu gostar deles, mas pelas pessoas que são) membros que respeito e amo por diversos fatores. São eles: meus pais, minha avó paterna (a única avó viva), uma prima de segundo grau, minha madrinha/tia-avó e duas primas de primeiro grau (dessa vez eu vi uma, outra não). O resto não fede nem cheira.

Visitei primeiro minha prima de segundo grau, filha da minha madrinha. Entre os mais variados assuntos que conversamos e as sempre presentes memórias familiares, conversamos sobre sua mãe, seu estado de saúde e o desejo dos filhos de "construírem uma casa menor e mais segura para ela morar". E ela me garantiu: "A mamãe é doida pra se mudar de lá para uma casa menor."

Minha madrinha mora numa casa gigantesca. Tenho consciência que não é uma casa nem fácil nem barata de cuidar. Também tenho consciência que é uma casa que representa alguns riscos para a saúde dela. Mas essa mesma casa é onde ela passou a maior parte de sua vida adulta, teve os seus três filhos, todos os seus netos, viu nascer e morrer muita gente. Velou sua irmã, seu marido. Viveu alegrias e decepções nos últimos 40 ou 50 anos... coisa assim. A casa tem história. Muita história. A história da minha madrinha vive lá, junto com ela e as demais pessoas que vivem na casa.

Ela tem três filhos. Todos são de minha consideração, mas por força da empatia e da cumplicidade, eu amo apenas um. Os outros dois eu respeito muito, mas é uma relação de respeito e consideração apenas, ao menos pra mim. Para eles eu não sei. De modo geral e sem entrar em detalhes por razões óbvias, é uma família com acesso a alguns recursos.

Dois dias após visitar minha prima, visitei minha madrinha, sua mãe. É sempre uma visita deliciosa! Papo gostoso, muito carinho, café e biscoitinhos que só o interior "do" Goiás produz. O assunto "mudar da casa" surgiu e eu disparei: "Mas e aí, madrinha? A senhora quer se mudar dessa casa?" Ela nem pestanejou: "Não! Eu quero ficar aqui até morrer."

Repita o título aqui.