Se você me acompanha (rá, essa é boa!) neste espaço desde o princípio (rá, essa é melhor ainda), deve saber que migrei recentemente do Mac OS X para o Slackware Linux. Como eu disse no post inaugural, lá pelos idos do ano 96 do século XX usava o Slackware Linux v3. Era complicado, coisa de escovador de bits, havia muito pouco conhecimento na grande rede. Isso mudou radicalmente. E mudou de uma forma impossível de não ser apreciada como bela.

De 96 do século XX para 12, quase 13 do século XXI, há algumas características substancialmente diferentes no espectro do conhecimento, mas as duas principais (IMHO) delas são: liberdade e prazer.

Hoje em dia, qualquer pessoa - e por qualquer pessoa eu digo qualquer pessoa mesmo - pode aprender sobre praticamente qualquer ramo do conhecimento na internet (surface ou deep). Para que isso torne-se possível, notei que são necessários apenas alguns poucos pré-requisitos:

  1. Vontade
  2. Inteligência
  3. Compreensão
  4. Colaboração

A ordem é proposital. Com a vontade vem a motivação. Ela é o princípio de tudo e, para chegar ao conhecimento sobre determinado assunto, um precisa querer. Este desejo é diretamente proporcional à complexidade do tema a ser conhecido.

A inteligência então entra em cena para fazer com que se encontre a informação necessária e, concomitantemente, para o processamento dessa informação afim de produzir conhecimento propriamente dito.

Com o conhecimento elaborado, é preciso estar atento para perceber que 1) você não aprendeu tudo sobre o tema e que 2) ninguém é culpado pela escassez ou obrigado a divulgar tudo que se sabe sobre o tema. Isso requer compreensão e é especialmente útil em fóruns ou IRC: procure muito antes, pergunte com propriedade e detalhes depois, não seja mal criado se a resposta não vier como você queria ou se ela não vier at all. Volte ao item 2 da lista de pré-requisitos.

E por último vem o aspecto mais bonito de todos: a colaboração. O conhecimento adquirido em boa parte do processo não foi produzido por você em suas pesquisas e conversas, mas por outros que de um modo ou de outro o transmitiram a você. É justo e precioso que qualquer nova peça de conhecimento agregado que você produziu, original ou não e por menor que pareça, seja compartilhado. Esse é o motor do mundo como ele é hoje.

Nas minhas pesquisas para a migração, eu visitei um sem fim de fontes. Me deparei com muita coisa inútil, mas em essência, praticamente tudo que eu necessitava saber já havia sido destrinchado por alguém, mesmo as complexas. De minha parte foram necessários apenas o esforço, os filtros e a sensibilidade (pontos 1, 2 e 3 da listinha). As pequenas peças de conhecimento que eu não encontrei - ou por não existirem de fato ou por incompetência própria com os termos da busca, não importa - eu produzi sozinho e, a melhor parte, já estou dividindo com outros. Esta é a essência deste blog na verdade.

O princípio por trás disso é de uma beleza sublime: se foi útil para mim, pode ser útil a outras pessoas também.

Mas e o prazer? Onde está o prazer nisso tudo? Bom, se você não conseguiu encontrá-lo até aqui, este texto inteiro não é para você. Mas pelo bem do conhecimento, eu vou dar uma dica. Há uma quantidade vasta de pessoas produzindo conhecimento pelo simples e puro prazer de ampliar o conhecimento humano. A maior parte delas não se toca disso, é fato. Mas a verdade é que todo e qualquer nerd que colabora ou lança um novo projeto de software livre está em busca de coisas muito humanas: realização pessoal, reconhecimento comunitário, sucesso, grana etc. O 'etc' pode até incluir razões que não são nobres, mas isso pouco importa, pois o resultado final é o mesmo.

Há um aspecto por trás disso que carrega um potencial tão bizarro quando bonito e irônico. Darei um exemplo apenas: um neo-nazi-skinhead-homofóbico-kkk húngaro responde uma questão certeira sobre um problema técnico qualquer em um fórum público. Essa peça de informação é extremamente útil para um judeu que mora em Israel, um negro que mora em São Paulo e um gay da Califórnia. Meu! O nazi ajudou, num tapa só (com trocadalho do carilho, pfv), um judeu, um negro e um gay, veja você!

É por coisas do tipo que eu acho essa porra de conhecimento a coisa mais linda desse mundo! Você não? Dispara aí nos comentários.